A Catavento Fumaça é uma banda de Rock/Blues fundada em 2024, na cidade de Divinópolis/MG, que nasceu do encontro de músicos unidos pela paixão pela música, criatividade e vontade de transformar experiências de vida em canções.
O seu trabalho autoral é marcado por composições inspiradas em interesses, amores, vivências e reflexões de seus integrantes, resultando em músicas que equilibram intensidade, autenticidade e identidade própria. Com influências que transitam entre o rock e o blues, a banda constrói uma sonoridade que respeita as raízes desse gênero, alinhando a uma linguagem contemporânea e pessoal.
Além das músicas autorais, a Catavento Fumaça apresenta um repertório de covers e versões de clássicos do rock e do blues. Muitas vezes, a banda busca reinterpretá-las por meio de novos arranjos e releituras, conferindo às obras uma estética alinhada à sua identidade musical.
PRÓXIMAS APRESENTAÇÕES (SHOWS)
Wesley José
Vocal & Guitarra
Faz a base da guitarra, comanda o vocal principal e se destaca como um verdadeiro prodígio nos solos de guitarra.
Thales Menezes
Teclado & Escaleta
O maestro e arranjador da banda. Traz a sofisticação, criatividade e toda a estrutura harmônica para o Rock N' Blues.
Rafael Junio
Vocal, Bateria & Cajón
Nosso sex symbol que domina o cajon e a bateria, dita o ritmo pesado e ainda assume alguns vocais e backings.
Alan Marotta
Vocal & Baixo
O professor maluco. Agrega o peso do groove com toda a bagagem técnica de sua experiência como instrumentista e compositor.
ARQUIVO DE HISTÓRICO
04/07/2026 - 4º Moto Point - Itapecerica (Ver Opções) ⚡
03/07/2026 - Noite de Caldos (EducaAfro) (Ver Opções) ⚡
06/06/2026 - Palco e Balcão (Ver Opções) ⚡
31/01/2026 - Aniversário Márcia Franca (Ver Opções) ⚡
Compilação de shows do Aniversário da Dra. Márcia Franca
Com participação especial do Cauan Marotta.
06/06/2026 - Palco e Balcão (Vento e Fúria)
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Assista aos registros do show
VÍDEOS - PALCO E BALCÃO
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Flores em vida
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Human
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Maluco beleza
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Stop crying your heart out
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Um guri louco
Música autoral
08/11/2025 - Rajas Café Bar
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Assista aos registros do show
VÍDEOS - RAJAS CAFÉ BAR
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Deixei meu lar
Música autoral
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Stop crying your heart out
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Trégua
Música autoral
LETRAS DAS MÚSICAS
Abismo
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Abstrato concreto
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À deriva
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A indecisão
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Arnaldo
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Arrepsia
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A última guerra
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Aurora
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Autotunaremos
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Avanuzes
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Baile
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Boa noite
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Calanini
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Canonização
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Castelo de papel
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Castelos de areia
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Catavento Fumaça
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Coalescência
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Decadência
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Destino
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Deuses do vento
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Dicotomia
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Dor nos olhos
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Einherjar
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Elegia
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Estrada
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Éter
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Faces e facas
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Fênix
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Garota insana
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Garotinho
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Incolor
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Insônia
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Interlúdio
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Johnny
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Lua negra
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Lucidez
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Luminar
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Luz da madrugada
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Mundo Cruel
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Música de senzala
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Nômade
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O amor e a enxada
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O Comediante
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O homem de lata
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O último de nós
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Pecado
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Penitência
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Pôr do sol
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Prisão mental
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Resiliência
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Revelações
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Rock N' Roll
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Rolo compressor
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Semáforo
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Siga
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Sol e Tormenta
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Terra sem lei
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Tolo amor
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Trégua
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Tricô
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Trilha verde
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Um guri louco
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Nenhuma música encontrada com esse termo.
Abismo
Eu queria ver seu rosto
Ao amanhecer
Por um só dia nessa vida
O resto esquecer
Te livrar dessa loucura
Tão difícil de entender
Em uma página vazia
Frases simples de entender
E fazer mais que observar
Dia após dia
O mundo a desabar sobre você
Se as paredes do seu quarto
Estiverem cinzentas
E plumas finas de neve
Tomarem o seu coração
Se demônios assombrarem
Suas mais puras crenças
E uma dor insuportável
For sua única sensação
Se o chão sobre os seus pés
Se abrir em uma fissura
E a queda livre
Te mergulhar em perdição
Se os gritos inaudíveis
De sua alma tão ferida
Parecerem ser inúteis
Perante tamanha aflição
Por favor meu bem não voe tão alto
Por favor segure firme a minha mão
Eu sei que algumas coisas não são tão simples
E que algumas cicatrizes para sempre ficarão
Não vou te dizer frases prontas
Eu não vou prometer que há uma luz na escuridão
Só quero que saiba estarei sempre ao seu lado
Não importa quão dura seja a situação
Abstrato concreto
Eu num medo de quebrar
Tudo aquilo em que eu encosto
E de asas amputar
Da pessoa que eu mais gosto
Um monstro, um ogro, um demente
Um louco, um estorvo, um descrente
Preso em uma honra tola
De omissões tão bobas
Deveria ter acreditado
Deveria ter mostrado
Deveria ser aberto
Tornando o abstrato concreto
Não, ainda não esqueci você
Mas sigo em frente
Cerro os dentes
Sobrevivo ao clichê
Lado A e Lado B
Eu desvio do buquê
Jogado solo em meio ao vento
Nos espinhos um acalento
Se me furo estou seguro
Sobrevivo no absurdo
De achar que ainda mereço
Ter sucesso no desfecho
Deveria ter acreditado
Deveria ter mostrado
Deveria ser aberto
Tornando o abstrato concreto
Não, ainda não esqueci você
Mas sigo em frente
Cerro os dentes
Sobrevivo ao clichê
É porrada na cabeça
Pra tornar esperto o besta
Que focou no machucado
E sem guerra foi soldado
Veste farda, falta broche
Sem medalha, mesmo incerto
Coleção de mil deméritos
E jogado à própria sorte
A indecisão
A indecisão
Não sei mais qual é a opção
Que será capaz de tal salvação
Libertar as almas da escuridão
Do sofrimento natural
Um desejo tão material
A fugir do desconforto
Pra se livrar da aflição
Abandonar os desejos
Mais profundos do seu coração
Entender a verdade
Cultivar pensamentos de serenidade
Aclamar a compaixão
Se desviar dos caminhos tortuosos que virão
Não semeie cicatrizes
Destrua essas suas atitudes infelizes
Cuide bem da sua mente
É o último farol a te manter assim tão consciente
A indecisão
Não sei mais qual é a opção
Que será capaz de tal salvação
Libertar as almas da escuridão
Ame aquele que lhe criou
E ofereça esse mesmo amor a quem te procurou
Estenda a mão a quem te machucar
E observe o quão confuso o agressor irá ficar
O perdão irá curar sua ferida
Não perca tempo odiando, vá viver a sua vida
Se livre desse orgulho tão restrito
És tão pequeno diante o universo infinito
Assuma cada erro cometido
Peça perdão pra cada coração que foi ferido
Não se deixe abater
No fim sua alma transparente irá prevalecer
A indecisão
Não sei mais qual é a opção
Que será capaz de tal salvação
Libertar as almas da escuridão
Arnaldo
Arnaldo
Eu não consigo me afastar
Desejo estar em sua presença
Arnaldo
Eu me arrepio ao lembrar
Daquela noite tão intensa
Arnaldo
Mesmo nesse seu jeito tolo
Sei que você nasceu pra mim
Arnaldo
Eu me embriago a pensar
Minha solidão vai ter um fim
E entre goles inebriantes
Minha mente fica a girar
Peço ao garçom mais uma dose
Meu peito já está a palpitar
Um abraço forte, uma pretensão
Saio de carro na contramão
Latas vazias no meu tapete
E no para-brisa como lembrete
Uma foto sua a me observar
Olho no olho, de par em par
Cinzas de um trago no meu cinzeiro
Em linhas escrevo nosso roteiro
Arrepsia
As gramíneas verdejantes sob a aurora celeste
A dançar na brisa quente em um sopro fino do agreste
Num relance eis que se vê a silhueta de uma cruz
Sob os olhos contemplando em devoção a sua luz
Um vislumbre em uma miragem sob o árido horizonte
Ou visões de um futuro vindo em breve e triunfante
Tão errantes pensamentos em caminhos provisórios
A vagar em sua mente em destinos transitórios
A incerteza cortejando em tão sútil contemplação
Tais verdades abrigadas sob tal convicção
Seu flerte carregado em ceticismo e euforia
Se depara com um silêncio em presunção e apatia
Tão belo e cativante é o metal dessas correntes
Adornando em vaidade e arrogância a sua mente
Com ideias elegantes, teses tão sofisticadas
Preservando e acolhendo consciências fascinadas
Em conforto e aprazia a inflar seu pobre ego
A esquecer o quão pequeno és diante do universo
À deriva
Sob o amanhecer tão cinza
Um mar calmo está a despertar
Sobre os pés no chão descalços
Uma água fria a deslizar
Entre as ondas tão furtivas
Passos na areia a se apagar
E em pequenas conchas cristalinas
Pensamentos a se dispersar
Em um porto seguro
Vejo um farol
Em seu mirante repousa
A nova luz do sol
Estrela guia na areia
Iluminando o mar
Onde o espírito errante
Pode se ancorar
Mas a deriva se vai
No oceano sem fim
A velejar distante
E se afastar de mim
Tão fundo o chão se torna
Em sombras ressoantes
A minha alma queima
Em um pavio cor de sangue
Nos muros ancorados
Por metais tão frios
Tijolos colocados
Por desejos tão sombrios
Nas ruas tão estreitas
Eles vêm e vão
A evitar cruzar olhares
Com quem tá no chão
Fogueiras iluminam
As esquinas vazias
Neblinas a ocultar
Suas silhuetas doentias
A mente vacila
Em um curral de bobagens
Quer fugir da solidão
Em delirantes viagens
Ei garota, hoje o céu tá tão frio
No horizonte desbotado, um pesadelo vazio
Eu busco na memória o seu rosto gentil
Eu só encontro devaneios desse mundo hostil
Ei garota, já estou tão cansado
De esperar que o tempo cure algo tão dilacerado
Se a esperança é aprender a conviver com essa dor
Eu me coloco a refletir na alegoria do amor
A última guerra
Deixei meu lar
Na guerra fui lutar
Deixei meu lar
Na guerra fui lutar
Quando eu parti
Vi minha mãe chorar
Estava a pressentir
Que eu não ia voltar
Vi meu amor
Seus olhos a sofrer
Estava a pressentir
Na guerra vou morrer
Meu filho eu vi
Nos jardins a brincar
Ao ver o pai partir
Começou a chorar
Aurora
Eis que a poeira ao sol planando
Plumas distantes a pairar no alvorecer
Olhos que cegam no clarão intenso da manhã
Em seus ouvidos o doce canto da natureza
O vento bate em sua porta entreaberta
O sonho cresce em sua mente e o desperta
O chão empurra os seus pés e sua alma segue
Em mil pedaços de vontade o peso que carregue
Sementes cravejadas no caminho percorrido
Irão verter em corações cativos socorridos
A vida é essa
A vida é foda
A vida é massa
Não se apresse
Não se esconda
Pois tudo passa
A vida é bela
A vida é louca
A vida é escassa
Não se segure
Não se envergonhe
Se satisfaça
Os filhos crescem, pais envelhecem,
As noites vão e os dias vem
E o amanhã não para pra ninguém
Pessoas somem, amigos partem,
Momentos vão e a saudade vem
E o futuro não é de ninguém
Autotunaremos
Eu tentei te esperar até enlouquecer
Eu tentei me afastar até você não ver
No fundo do escuro desse imenso vazio
Metrônomo ligado, positivo negativa
Eu tentei te esquecer e seguir adiante
Tentei adoecer a segurar seu stand
Tentei permanecer só, quando eu estava fraco
Fingir na multidão, me sentindo um rato
Mas mesmo assim, não esqueci você
E tudo o que eu queria era te merecer
Uma hora ou outra, ainda te vejo em vislumbres
Minha voz fica rouca, mesmo com autotune
E mesmo quando eu vejo um sorriso alheio
Não sinto muita coisa, só um lisonjeio
Não tem como comparar com a mulher mais linda
Não tem como não sentir uma paixão perdida
De ter tido que levar o peso do passado
E por isso esconder o que eu pensei estar claro
E de ficar sozinho ao procurar consolo
E de negar afeto, parecer um tolo
Mas mesmo assim, não esqueci você
E tudo o que eu queria era te merecer
Uma hora ou outra, ainda te vejo em vislumbres
Minha voz fica rouca, mesmo com autotune
Avanuzes
De um olhar que me fascina
Fazendo do meu chão um nada
No qual um mergulho delirante
Acalma e sobressalta a minha alma
De um toque a respirar através do meu ser
Provando o ar de uma nova criação
De um universo inteiro invisível aos olhos
Que interpretam o mesmo como mera abstração
Mas com o que eu sinto
Se torna dispensável a visão
Pra distinguir o que é real
Do que é apenas ilusão
E ainda que fosse mais fácil
Viver vidas imaginárias
Ignorando minhas inspirações
Tidas tais como ordinárias
Eu preferia morrer
Abraçado ao meu espírito
Do que viver acreditando
Que apenas o que eu vejo é legítimo
Mas uma luz eu sinto dentro de você
Que independente de tudo sempre alcançará o meu ser
Cessando de absoluto os meus momentos mais sombrios
Aquecendo a minha alma caso o mundo me pareça frio
Mas a minha alma sempre está calma
Mas a minha alma estará
Mas a minha alma sempre está calma
Mas a minha alma estará
Baile
Beije
Enquanto os lábios permanecem vermelhos
Corra
Enquanto a vida não lhe pôr de joelhos
Sinta
A brisa leve a balançar seus cabelos
Veja
O seu reflexo a desbotar no espelho
Porque o amor é a terapia da alma
A dor ensina a respirar e ter calma
A noite chega e acende estrelas no céu
Pra escapar da solidão tão cruel
A lua aquiesce e se desenha no mar
A sombra acorda e deixa o corpo a vagar
Com borboletas a bailar sobre o vento
Ao abandonar os seus casulos em alento
Durma
Pra que os sonhos lhe renovem a esperança
Aguarde
E deixe o tempo lhe guiar nessa dança
Fique
E faça o escudo defender-se da lança
Pare
E espere o velho relembrar sua criança
Negue a borracha apagar seu passado
Respeito os tombos que lhe deixaram arrasado
Lembre que o sol levanta dia após dia
E ilumina a escuridão tão sombria
O vento assopra um invisível lamento
Ao perceber que é só mais um elemento
Que faz a vida florescer sobre o solo
Tal uma criança a desmamar de teu colo
Boa noite
Me pego
Com problemas pra dormir
A mente a mil
Não me deixa descansar
Grana, falsidade
Desânimo, vaidade
É foda
Dá vontade de sumir
Pra um careta
Que não gosta de droga
Jogando pro alto
Rimas em tons de prosa
Pra relaxar
Não há chá nem yoga
Amores mal resolvidos
A família me deixa perdido
Tá sem dó do coração
Mas meu bem, te apresento a vida
Amanhã é outro dia
Se levanta pra enfrentar
Se caleja, bastante café ajuda
Sinto muito, você não é Buddha
Dá a cara pra apanhar
Calanini
Ei Jane
Há vozes no escuro
Demônios invisíveis estão a te chamar
Ideias insensíveis a te espreitar
Ei Jane
Seus olhos tão inquietos
Enxergam tantas coisas que ninguém mais vê
Um mundo tão sombrio diante de você
Ei Jane
Devias estar brincando
Correndo alegremente com seus pés descalços
Sorrindo tão contente, ao ouvir a mãe lhe chamando
Ei Jane
Sonhar é tão complexo
Seus olhos podem estar completamente fechados
Mas os gritos lá fora permanecem por perto
Ei Jane
Pra onde estás olhando
Oh Jane
Não há ninguém chamando
Ei Jane
Pra onde estás olhando
Ei Jane
Ninguém está chamando
Chame por mim
Por favor chame por mim
Grite por mim
Por favor berre por mim
Chame por mim
Por favor chame por mim
Me chame agora
Por favor me salve agora
Canonização
Aguardando o que foi dito tomar algum sentido
Regurgitando tais palavras itinerantes
Quanto mais se abstrai, mais minha mente se esvai
Mas se eu sou o que sou, porque o tempo insiste a zombar de mim
A cair estou
Eventualmente todos iremos um dia
A cair estou
Mas me lembro que em breve estarei junto ao chão
As mãos se estendem aos anjos
As sombras padecem do céu
As asas renascem das cinzas
E ele se faz um santo
As mãos se estendem aos anjos
As sombras padecem do céu
As asas renascem das cinzas
E ele se faz um santo
Castelo de papel
Em um mundo de ilusões e cegos
Aonde mentiras são contadas
Pra evitar que se machuquem egos
Em sentimentos são batidos pregos
E nas conversas um subterfúgio tolo
Justifica tentativa que ocasiona dolo
Falsidade gentil finge de consolo
Uma recusa em aceitar o que é real
Um delírio coletivo que só causa mau
Então cai esse castelo de papel
Nessa disputa aonde não há troféu
E em tom de brincadeira se espalha pelo ar
Um devaneio ignorante que insiste em pernoitar
Almas vazias a se enganar
Se torna idiota por pedir verdade
Por insistir nessa recusa em fomentar vaidade
Sonha com quem está a virar saudade
Uma recusa em aceitar o que é real
Um delírio coletivo que só causa mau
Então cai esse castelo de papel
Nessa disputa aonde não há troféu
Castelos de areia
O apache ouviu o grito dela: Seu desgraçado
Uma porta bate em seu rosto embriagado
Como uma sombra ele se inclina até o chão
Com os vizinhos a zombar e a murmurar
E ele chora garota, deves estar louca
Aonde estás o doce amor que outrora havia em sua boca
Como uma sombra ele se inclina até o chão
Com suas lágrimas a queimar
E os castelos de areia
Caem no mar
Por algum azar
Um pequeno e bravo índio
Antes dos dez anos
Na floresta ele brincava
Com seus amigos guerreando
O sonho ele ia construindo
Ser um nobre guerreiro
E defender a sua tribo
Muitas luas depois
O sonho enfim então começava
A primeira canção de guerra
Seria finalmente cantada
Mas alguma coisa deu errada
Num ataque surpresa
Durante o sono sua vida foi levada
E os castelos de areia
Caem no mar
Por algum azar
Uma doce garota com o coração despedaçado
Sem andar e sem falar, presa num corpo mazelado
Ela só queria poder descansar
Então resolveu com sua vida acabar
A beira-mar estavam fartos da sua carreira
Ela sorriu pra sua dor
Se despediu da sua maneira
Mas eis que alguma coisa a fez saltar e dizer
Um navio dourado voa
Passando em seu caminho
E os castelos de areia
Caem no mar
Por algum azar
Catavento Fumaça
Tijolos na parede
Um beco escuro
Latas de lixo vazias
Uma placa de perigo
Está jogada no chão
Janelas são quebradas na escuridão
Metal enferrujado
Pneus furados
Pedaços de jornais ao vento
Na ponta do cigarro
Uma brasa se acende
Quem pode estar ali
No submundo descrente?
É o Catavento Fumaça
É o Catavento Fumaça
Aquele que encontra a cada bala perdida
Cicatriz por cicatriz
Põe logo o dedo na ferida
Dizem que ele não é bem-vindo no inferno
Que o próprio diabo engana a morte
Justamente pra não ter ele por perto
É o Catavento Fumaça
É o Catavento Fumaça
Coalescência
Vendi as minhas chaves
Para um colecionador de almas
Agora estou preso dentro de mim
Limitado a acreditar no que tenho por verdade
Esqueci a minha antiga busca
Interminável pelo abstrato
Agora me atenho ao concreto
Tão tedioso e sensato
Meus desejos obsoletos
Que se moldaram ao conveniente
Depreciando tudo aquilo
Que antes era belo
Tudo está inerte
Tudo está sombrio
O silêncio se arrasta
Até minhas entranhas
Sóbrio sob a luz de entorpecentes
A buscar qualquer resquício de insanidade
Quem diria ser possível que a humanidade
Fosse capaz de transformar nossa ingenuidade
Nos convencer que toda essa
Racionalidade
É bem maior que qualquer traço
De identidade
Nesse curral civilizado
Chamado sociedade
Onde mentiras bem contadas
São tomadas por verdade
Decadência
Desonrado e consternado
Arrastando passos melancólicos
Na estrada excruciante
Aspirando anseios fatigantes
De uma vida calejada
Escutando ao longe
A torrente interminável
De súplicas infames
Da terra nasce o nosso alimento
Do céu a nossa água e o sustento
Nascemos aqui, vivemos aqui
Então o que mais poderemos nós querer?
Mas não, não
O homem ganancioso
Vem tomando para si
O que era pra ser de todos
Enquanto a criança faminta está sorrindo
A senhora no trono
Um ódio tolo está sentindo
Enquanto a garota engole o próprio sofrimento
Burocratas estão brindando
As custas do nosso lamento
Destino
Já não sei mais
Quanto tempo tenho
Pra viver
Neste mundo tão pequeno
Carente de espaço
Para minhas tolas ilusões
Seguindo um traço
Acorrentando nossos corações
A um destino tão sombrio
Tão amargo
Inevitável
A um futuro pré-escrito
Tão previsível
Inviolável
Eu já não tenho mais
Aquela velha mania
De viver me desculpando
Por coisas que jamais eu fiz um dia
Não sei mais
Quanto tempo tenho
Pra viver
Nesse mundo tão pequeno
Carente de espaço
Para minhas tolas ilusões
Seguindo um traço
Deuses do vento
Eu não sei quanto tempo falta
Pra viver entre a cruz e a espada
Perdido em meio a essas vãs filosofias
Quem mata pra viver
Quem vive pra morrer
Os kamikazes estão indo
De volta pra casa
A sua vida, a sua morte
A sua honra, a sua família
As suas asas
E os alquimistas
Vão acendendo suas próprias fogueiras
E os astrólogos
Vão desmentindo suas próprias certezas
Eu não sei quanto tempo falta
Pra viver entre a cruz e a espada
Perdido em meio a essas vãs filosofias
A vida
Um carretel de linhas quentes
Cortando o horizonte
Partindo corações
Alinhando nossas mágoas
Construindo nossa ponte
Sombras sorrateiras
Cinzas silenciosas
Semeando sonhos e sentimentos
O homem, a mentira
E a verdade
Os kamikazes não estão indo
De volta pra casa
Nada mais belo que um último voo
Nada mais triste que um último choro
Nada mais belo que um último voo
Dicotomia
Ei irmão
Eu só preciso de uma luz agora
Algo que me faça ver
Que o caminho ainda está aqui
Eu só preciso seguir você
E ainda que hajam pedras sobre os pés descalços
Nos meus passos eu não vou me perder
E as pancadas incessantes que me deram ontem
Amanhã já não irão mais doer
Mas meu amigo não se iluda
Tu não podes depender assim da minha ajuda
O que eu posso oferecer são conselhos sinceros
Mas não posso prometer que o seu futuro é belo
Eu só sei que não importa o quão difícil seja
Nunca pare de lutar não importa o que aconteça
A cada gota de sangue que veres tocar o chão
Saiba que certas cicatrizes jamais se fecharão
Se não importa o quão imensa
É a pedra no caminho
Se não devo me abater
Ainda que esteja tão sozinho
Se mesmo os céus sobre os meus ombros
Se tornarem mais pesados
E a escuridão ao meu redor
For igual aos meus olhos fechados
Se a cada passo dado um pedaço meu fica pra trás
Se a cada dia na memória o meu sorriso se desfaz
Se a pessoa que fui ontem não é nem de perto quem sou agora
Por que devo acreditar que amanhã não vou embora
Ei irmão
Eu não consigo ver a luz agora
Algo que me faça crer
Que o vazio interminável que repousa aqui
Algum dia eu hei de esquecer
E no reflexo desbotado visto no espelho
Tão pouco vou me reconhecer
E as risadas tão distantes que ecoam longe
Logo irão desaparecer
Mas meu amigo não se entregue
Tudo tem o seu final mesmo que agora não enxergue
Se depois de tudo isso decidir se entregar
Pode até ser que todo o mal vá finalmente acabar
Mas pense bem antes de agir e apagar a própria luz
Pois depois disso não há volta e a escuridão será a cruz
Que marcará o ultimato dessa sua decisão
Onde a certeza desenhada é que os seus sonhos morrerão
Dor nos olhos
Cortinas cinzentas se fecham
E não deixam a luz passar
Meus olhos vão se acostumando aos poucos
Com as sombras que pairam no ar
No silêncio, no escuro
Num refúgio, num abrigo
Tão distante, tão seguro
Nem me sinto tão perdido
Talvez seja mais fácil
Se encarar no espelho
Com os olhos fechados
Talvez seja incerto
Acreditar que a dor
Não está aqui tão perto
Talvez o mundo esteja doente
Eu só sei que algumas coisas não tem quem aguente
Talvez seja errado
Se afastar daquilo tudo que lhe deixa ferrado
Não olhe pra baixo
Não olhe pro alto
Não olhe nos olhos de quem não sabe amar
Eu só sei que a sua dor
Um dia irá passar
Eu só sei que a luz do sol
Um dia irá chegar
Não olhe pra baixo
Não olhe pro alto
Apenas siga em frente
Sem ter nada a temer
Eu sei que existem dias
Tão sombrios e frios
Eu sei que às vezes pensas
Não ter nada a perder
Mas atrás da cortina cinza
Há uma chama reconfortante
Do outro lado desse abismo frio
Um calor revigorante
Einherjar
Onde as montanhas são cinzentas
E as florestas são tão sombrias
Um corvo negro observa
A torre branca jaz em ruínas
Onde os incautos a marchar
Sob um céu tão inquietante
Anseiam logo por voltar
Aos belos vales verdejantes
Suas espadas ensanguentadas
E as suas aljavas tão desmunidas
Sob um estandarte desvanecido
Seus pensamentos são esquecidos
Irmãos de guerra, irmãos caídos
Suas medalhas tão merecidas
Mas os seus corpos abandonados
Serão perdidos sem despedidas
Gritos de guerra ecoam ao longe
O inimigo não se esconde
A terra treme e a marcha cresce
O medo logo reaparece
Flechas vermelhas caem do céu
Rasgando a pele como papel
Em breve então estarão unidos
Todos irmãos antes destemidos
Elegia
Pode a vida valer-se de minutos?
E ainda que o tempo não importe
O enleio entre o passado e o futuro
Seja somente um caminho para a morte
Pode a vida valer-se de minutos?
Eis que o dia malogrado enfim se finda
E a alma aprisionada na rotina
Desperta livre mesmo que incompleta ainda
Pode a vida valer-se de minutos?
E o sentimento apagado se irradia
Ainda que platônico e arredio
A ver-te alguns instantes todo dia
Pode a vida valer-se de minutos?
Observando a natureza retraída
E a voz rara e por isso preciosa
E a pureza tal de tua essência tímida
Pode a vida valer-se de minutos?
Por influência dessa frágil criatura
Transmutar a noite negra em constelada
E o presente, tornar literatura?
Pode a vida valer-se de minutos?
E a paixão ao fim da noite encerrada
A esperar pelo iminente fim do dia
Tornar a alma já sozinha, solitária?
Estrada
Quero pegar a estrada
Vagar sem rumo até asfalto acabar
Ver o sol se escondendo atrás de mim
Quero alcançar o horizonte antes do fim
A cada dia que passa
Uma estrela a menos
Nesse céu cinzento
Talvez uma história a menos pra contar
E enquanto estamos parados
O mundo inteiro está se movendo
Eu sei não é tão simples dizer
Quantos grãos de areia
Já foram embora
Na brisa quente desse deserto
Quantas orações nesse mundo afora
Tiveram um destino
Um futuro incerto
Pessoas simples
Vidas pacatas
Olhos sinceros
Suas almas tão gratas
Pessoas cruéis
Vidas vazias
Olhos infames
Almas sombrias
Quero pegar a estrada
Vagar sem rumo até o asfalto acabar
Ver o sol se escondendo atrás de mim
Quero alcançar o horizonte antes do fim
Além dos vales
Das pradarias
Eu vejo ao longe
Montanhas sombrias
O sol distante
Tão reluzente
Repousa aos poucos
Sobre o asfalto quente
A noite chega
Como quem não quer nada
Faço uma pausa
Na minha jornada
E enquanto estamos parados
Sobre a luz tênue de uma fogueira
Observo a minha sombra no chão
E enquanto eu fico deitado
Vejo no céu tantas estrelas
E eu me pergunto como elas estão
Mas é tão fácil apreciar a solidão
Quando se vive em um mundo sem compaixão
Mas é tão fácil se perder ao estar sozinho
Por isso mesmo nem me importo com meu caminho
Quero pegar a estrada
Vagar sem rumo até o asfalto acabar
Ver o sol se escondendo atrás de mim
Quero alcançar o horizonte antes do fim
Éter
Esfera azul desliza só
No cosmos tudo vira pó
Estrelas mil a cintilar
No infinito se afastar
Pequeno sou na solidão
No vasto véu da escuridão
A circundar na extensão
Da borda curva de um clarão
No vai e vem da sua luz
Sombras quadrantes se conduz
No entra e sai do seu clarão
Na ampulheta cai o grão
A caminhar sem se apressar
Não sabe onde vai chegar
O que passou por lá ficou
E inalcançável se tornou
Pequenos grãos a oscilar
Nessa fronteira singular
Aonde estão, pra onde vão
Em tão ambígua distorção
Nessa sutil ondulação
A revelar sua transição
Quando estiver a observar
Partículas vão se tornar
Um esplendor de oito sois
A irradiar os seus farois
Ao consumir a sua luz
Em um colapso se reduz
E no pulsar da explosão
A aurora azul do seu clarão
Um espiral a devorar
O que vier a alcançar
Faces e facas
A vida é imprevisível
É luz e sombras em um dirigível
Rasgando o céu em mil pedaços
De pretensões e embaraços
A desbotar em cores tortas
Imagens nuas e suas derrotas
A despertar seus espantalhos
A escancarar seus pontos fracos
É solução pré-fabricada
É surreal, desesperada
Na superfície de uma armadura
A ostentar tal caricatura
A pele oculta marcas pesadas
Sobre o metal não estão blindadas
Tão invisível o real estado
O seu clarão tão dilacerado
Estrelas piscam num teto em negro
Cinzas tão frias no seu cinzeiro
O seu cigarro está apagado
E o seu clarão tão dilacerado
Quantos faces no seu rosto têm
Quantas facas no seu rosto
Quantos faces no seu rosto têm
Quantas facas no seu rosto
Os seus olhos não enxergam na escuridão
Sem ver o tempo a escorrer da própria mão
Aprisionado ao bel prazer do indeciso destino
A se esconder da própria sombra como clandestino
Seus passos não conseguem te levar adiante
Seus sonhos se afastando, a ficar distante
Mas você na teimosia não quer desistir
Um sorriso em meio a sombras a te engolir
Fênix
Jaz aqui minha desilusão
Enterrada em transfusão
Com sangue novo a correr
O coração torna a bater
A flor de outono a brochar
O céu na terra acha um lugar
Em meio a noite rompe um clarão
Estrelas viram inspiração
Que faz do choro um sorriso
Da partitura, um improviso
O que era um Blues, virou Jazz
Compõe poemas, faz laureis
A desmanchar
No anoitecer
E ao acordar
Me refazer
Elucidar
Lhe agradecer
Por me inspirar
A renascer
Garota insana
Eu costumava me perguntar
Se no céu sombrio que jaz na noite
Eu conseguiria esquecer um dia
A escuridão e a solidão
Que eu jamais pensei poder dizer
Não faz parte de mim
Quando num piscar de olhos
Eu percebi então finalmente
Que as estrelas do meu céu
Agora brilham intensamente
Reluzindo nos meus olhos
Uma luz que não se apaga
Acabando a escuridão
Da qual nem mais tenho lembrança vaga
Sim, sim, garota insana
Desenhando para mim
Um mundo belo e louco
Aonde poucos entendem
Mas sempre se surpreendem
Onde eu posso ser eu
E ela pode ser ela
E aonde foi que ela deixou a sua sanidade
Talvez esteja ofuscada pela minha ingenuidade
Sim, me lembro da primeira vez
Que ela sorriu pra mim
Conversa vem
Conversa vai
A noite chega
O dia cai
E eu confesso
Que estou até gostando
E todo o tempo que passo longe dela
É inevitável nela estar pensando
Mas eu só peço a Deus
Uma eternidade ao lado dela
Quem dera ter tempo suficiente
Pra entender o que se passa
Nessa sua mente insana
Que às vezes mesmo a razão me engana
Quem dera ao menos ter alguma explicação
Pra isso tudo que se passa nesse pobre coração
Que inflama
No momento em que você me chama
Garotinho
Um pequeno garoto em passos tortuosos a ensaiar uma tragédia vivida
Cruza os céus sob um oceano cinza a pavimentar sua vontade homicida
Nos seus olhos simples cintilantes um vislumbre de uma alma destruída
A rabiscar o horizonte em negro como um vulto sob a noite distraída
As águas inquietas a sussurrar o próprio nome a muito esquecido
Orquestrando no silêncio dos últimos suspiros ainda adormecidos
Um cintilar de sonhos a repousar tão despretensiosos que por vezes são inofensivos
Reféns desse desastre humano a despedaçar nesse mundo distorcido
Um amanhecer tão tímido a despontar no horizonte em cores apagadas
E em uma planície longínqua se estendem várias praias cinzas e zonas portuárias
Pequenas nuvens brancas são perfuradas a se acelerar numa rápida aproximação
Ninguém pôde notar o pequeno garoto prestes a lançar-se abruptamente ao chão
Em um ponto no céu uma semente no epicentro a cultivar o vil desígnio
Se inicia a queda inevitável anunciando o iminente e imediato extermínio
Eis que o garotinho cai com os raios de sol sob a pele de metal
A desenhar no céu azul do norte uma cena absurda de tão desproporcional
De um pálido ponto cinza a pairar recluso no alvor celeste
Eis que se rompe em uma explosão de um clarão intenso colossal
Mergulhando a completude das cercanias atordoadas
A esmaecer o céu em uma súbita cegueira temporal
Em uma onda tão destrutiva a se propagar de forma ostensiva
A semear essa insana devastação tão descomunal
A assolar tudo sem seu caminho, concreto, aço, vida, luz, espinho
A contaminar, a carbonizar a dilacerar em vil potencial
Incolor
Estão me levando
Desse lugar
Várias pessoas
Estão a me acompanhar
Ouço palavras
De um homem desconhecido
Elas me trazem conforto
Como se ele fosse um velho amigo
Eu não posso mais
Ver em cores
Eu não posso mais
Ver em cores
Eu não posso mais
Ver a cor dos seus olhos
Eu não posso mais
Ver o azul do céu
Ver o sol se pôr
É ver o mundo sem cor
Ver o sol se pôr
É ver o mundo sem cor
Eu não posso mais
Ver em cores
Eu não posso mais
Ver em cores
Insônia
Onde está o sono?
Eu me pergunto
E o procuro na escuridão da noite
Vislumbrando no tempo a fadiga do corpo e da alma
Onde está o sono?
Eu me pergunto
Nesse mundo tão caótico e inquieto
À um quarteirão do seu lençol tão macio
Uma criança se encolhe de tanto frio
Mas ele se esconde
E infelizmente não sei onde é
Mas ele se esconde
E infelizmente não sei onde é
E eu fecho os olhos
E busco ele em minha mente
Tão logo percebo
Que eu o faço inutilmente
Sem conseguir
Acalentar meu consciente
Como dormir tranquilo
Nesse mundo displicente
Mas ele se esconde
E infelizmente não sei onde é
Mas ele se esconde
E infelizmente não sei onde é
A madrugada então se torna a minha travessia
E a insônia impreterível a minha guia
Me arrastando insistente até o raiar da luz do dia
Derretendo a minha mente nessa infame agonia
Eu só queria desligar o cabo da tomada
Espairecer minha consciência tão exasperada
Descarregar essa perturbação obstinada
Que subjuga a exaustão mantendo a mente acordada
Mas ele se esconde
E infelizmente não sei onde é
Mas ele se esconde
E infelizmente não sei onde é
Interlúdio
Pois eventualmente a mentira sai
Inevitavelmente a verdade sobressai
Não acredite cegamente no que chega a seus ouvidos
Nesse mundo displicente a gente busca algum sentido
Na procura de alguns meios pra sarar da dor
Pois mesmo na tristeza nunca existe bom ator
O coração no peito bate em cima do umbigo
Às vezes sua história é de embrulhar o intestino
As flores do jardim ainda vão desabrochar
A água no deserto o andarilho irá achar
É preciso engatinhar pra entender como correr
E que mesmo pra amar tem que saber como sofrer
E descobrir que o mundo é bem maior que aparência
Numa busca de sentido só achamos evidências
E com farol aceso o carro sai de noite
Na procura insaciável de retomar o seu afoite
E quando olhar pra trás não fugir mais dessa lembrança
Que até no fim do poço ainda existe esperança
Que esse machucado se transforme em cicatriz
E que no fim de tudo esse final seja feliz
As flores do jardim ainda vão desabrochar
A água no deserto o andarilho irá achar
É preciso engatinhar pra aprender como correr
E que mesmo pra amar tem que saber como sofrer
Johnny
Johnny era mesmo assim
Ainda havia uma garota
Da qual ele era afim
Johnny era solitário
Haviam dizeres
Que era amigo do vigário
Johnny amava a sua mãe
E odiava o seu pai
Abandonara ele e os seus irmãos
Dos quais agora três restavam
Johnny rodava o mundo
Assalto ao banco
Com seus três irmãos
Johnny vivia na marra
Ele só queria
Saber de farra
Johnny era mesmo assim
Ainda havia uma garota
Da qual ele era afim
A história só mudou
Quando os dois se conheceram
Hey Marianne
Hey Marianne
Preciso do seu calor
Preciso do seu amor
Então vem comigo baby
Prometo a você
Pra sempre eu vou te amar
Johnny era mesmo assim
Ainda havia uma garota
Da qual ele era afim
Agora que os dois se conheceram
Johnny abandonou a sua vida de doidera
Agora Johnny é um cara bacana
Seus três irmãos foram levados em cana
Lua negra
A lua certa vez quis contar ao sol
Todas as as suas tristezas
Mas um mundo de ilusões
Pairava entre os dois
E ainda hão de evitar de divulgar
A sua luz ofuscando o céu
As mais belas estrelas, sonhos
Às vezes lúcidos assim
Ouvir distante a sua voz
Calando o meu pranto
Medos, quase sempre inquietantes
Assombrando a sua alma
O que eu te peço é calma meu irmão
Assombrando a sua alma
O que eu te peço é calma meu irmão
Eu vejo a sombra da Terra
Projetada na lua
E eu me pergunto se algum dia
A mesma dor que foi sua
Está perdida por aqui
Criada pela ironia
E abraçada a esse sonho
No qual acreditei um dia
A lua cinzenta
Quis contar ao sol
Todas as suas tristezas
Ao invés de ouvir a sua sombra
Roubando do sol
Até a última gota de luz
Dizem que nem tudo que reluz é ouro
Dizem que na Terra o mais tolo é rei
Dizem que a estrada que vai pro Oeste
É a mesma estrada que chega no Leste
E eu que vou
Um dia fui
Agora finalmente eu cheguei
Lucidez
Preso na escuridão
Perdido na imensidão
Preso na escuridão
Perdido na imensidão
Se esqueça dos sonhos prostituídos
Da porta entreaberta atrás do seu inimigo
Do espelho negro a refletir sua imagem
Da parede acidentada sobre tal camuflagem
Se afaste assim tão breve dessa prece inconsistente
Apague todos seus pesares, medos tão incoerentes
Abandone tudo que lhe pareça ilusório
Rejeite qualquer fato que se mostre provisório
Ileso na escuridão
Imerso na imensidão
Ileso na escuridão
Imerso na imensidão
Destrua esses traços dessa mente prepotente
Renegue pensamentos que pareçam insolentes
Não faça alusão ao preço dessa despedida
Deixe suas pegadas narcisistas escondidas
Ao findar de cada luz seu brilho fica mais sozinho
Então não deixe de orar por quem ilumina o seu caminho
Jamais desvie os olhos dessa intensa provação
Por mais incrível que pareça mergulhar-se na ilusão
Aceso na escuridão
Contemplando a imensidão
Aceso na escuridão
Contemplando a imensidão
Luminar
Desligar seus sentidos
Libertar a razão
Resguardar a virtude
Dar finitude a inquieta imensidão
Gritos tão incandescentes
Pensamentos divergentes
Tão claro, tão escuro
Sobre o muro um céu impuro
A insanidade tem uma alma infeliz
Descontente com o caminho que eu fiz
Mantendo a mente cordial
Mantendo a mente funcional
Ignorando um instinto irracional
Mantendo a mente cordial
Mantendo a mente funcional
Ignorando um instinto irracional
Ando por léguas tão fúteis
Seguindo caminhos tão inúteis
Ando por léguas fúteis
Seguindo caminhos tão inúteis
Mantendo a mente cordial
Mantendo a mente funcional
Ignorando um instinto irracional
Mantendo a mente cordial
Mantendo a mente funcional
Ignorando um instinto irracional
Luz da madrugada
Caminhando
Em maio a cacos de esperança
Tentando esconder
A luz da minha alma
Eu vejo uma sombra
Pairando sobre os seus belos olhos
E fico perdido
Em meio ao meu próprio silêncio
Teve as suas lágrimas
Teve os seus medos
Eu irei queimá-los
Se você quiser
Andando em sua direção
Contando cada passo
Pedindo pra que seja ele o último
Quando eu tentava
Enterrar as minhas mágoas
Acabava por cavar
Meu próprio buraco
Mas agora estou livre das sombras
Escutando as batidas do meu coração
Respirando aos poucos
Repousando na brisa sussurrante
Da última madrugada
Da última madrugada
Da última madrugada
E eu me lembro
Do seu sorriso
E eu me esqueço
Das minhas mágoas
Eu eu me lembro
Da sua doce insanidade
Eu eu me esqueço
Da minha tola ingenuidade
Mundo Cruel
Andando a sós
Pelas ruas da cidade
A inutilmente procurar
Por um pouco de idoneidade
Prestes a perder o que resta
Da minha sanidade
Para essa tola empatia
Pela humanidade
Então devo me esquecer
Dos meus próprios semelhantes
Para assim conseguir viver
Nesse luxo exorbitante
Pois enquanto muitos não tem
Nem migalhas no seu chão
Em algumas mesas
Talheres de prata estão
Eu não quero ser um santo
Nem mesmo um socialista
Tão pouco que me vejam
Como um jovem ativista
Eu só quero que entendam
Esse meu ponto de vista
O mundo é cruel
Indiferente ao idealista
Em algum lugar do mundo
O morteiro risca o azul do céu
Enquanto uma criança chora
Sem entender todo esse escarcéu
E as potências globais
Com suas ogivas nucleares
Capazes de ocultar o sol
Em seus testes militares
Se reúnem perante o mundo
Em uma arrogante indiferença
Como se seus líderes tivessem
Uma certa onipotência
Reproduzindo discursos
Com tão notável eloquência
Mas que aparentemente
Não tem nem um pingo de coerência
Eu sei que a humanidade
Está em constante evolução
Mas ainda assim
Me parece estranha essa progressão
Pois há poucos séculos
Ainda existia a escravidão
E ainda hoje
Há lembranças dos campos de concentração
Música de senzala
Pra emancipar a minha tristeza
E me libertar ao menos em alma
Dessa prisão
A beira do rio Mississipi
Minha música ecoa e resiste
A escravidão
Minha cor de pele gerou estranheza
Eu canto azul e finjo ter calma
Nos campos de algodão
Essa música de senzala
Rasga o tempo, revólver e bala
Minha munição
Com um cigarro envolto em fumaça
Um conhaque, dois copos, na encruzilhada
Viro amigo do cão
Que promete elevar minha música
Entre doses eu aceito a permuta
Não é ilusão
A luz da noite a me acompanhar
Um bluesman vagabundo sem casa e lugar
Ando só com meu violão
Essa música de senzala
Rasga o tempo, revólver e bala
Minha munição
Nômade
Vou pegar a estrada
Sem saber ao certo
Pra onde estou indo
Sem mapa nem bússola
Ou mesmo GPS
O que eu quero agora
É fugir de vez desse estresse
Fugindo no tempo
Navegando no vento
Guiado apenas por esse sentimento
Essa vontade enorme
De viver assim
Sem ter limites
Sem ter um fim
Perdido no mundo
Sem medo e sem rumo
Vagando à luz do sol
Num céu tão longe de casa
Voando sem asas
Fugindo no tempo
Navegando no vento
Guiado apenas
Por esse sentimento
Essa vontade enorme
De viver assim
Sem ter limites
Sem ter um fim
Perdido no mundo
Sem medo e sem rumo
Vagando a luz do sol
Num céu tão longe de casa
Voando sem asas
O amor e a enxada
O amor dói
Dói
Pois nele encontramos um caminho árduo
Em cima de espinhos, andando a passos largos
Correndo atrás de um rumo onde se vê perdido
Um navio para os tolos afoga em bramido
Mas só se constrói
Se constrói
Se ambos os dois lados andarem de mãos dadas
E juntos enfrentar e então vencer ciladas
Aonde a dor de um se torna a dor do outro
E o barco então sem rumo ali achar seu porto
Nas luzes de um farol a iluminar o mar
A fúria de Netuno consegue acalmar
E então se faz herói
Herói
O coração partido que torna a remendar
Que em sua inocência volta a abraçar
Aquela cicatriz que ainda está ativa
De novo a colorir aquele céu tão cinza
Não mais se destrói
Destrói
As costas que a vida já deixou mais larga
Que mesmo a calejar, a mão não solta a enxada
E em baixo do sol quente segue na labuta
Molhado em suor, homem não foge a luta
E a chuva quando cai é pra fazer lavoura
Que espera ver crescer na estação vindoura
O Comediante
Estou aqui para ouvir sua risada
A vida é boa, cala a boca e vá viver
E em meus dias vou contando piadas
Quando olho em volta e vejo o dia acontecer
O palhaço vira louco, coitado
Faz papel de trouxa
Ele é um homem bom
Faz brincadeiras, em seu bolso um baralho
Olha pro público
Ele é um homem bom
E então acaba o show no circo
No camarim, uma voz rouca de fumaça
Em meio a tosse ele repousa no sofá
Fecha os olhos pra tentar se desligar
A vida é boa, não adianta reclamar
E se engana para poder repousar
Estou aqui para ouvir sua risada
A vida é boa, cala a boca e vá viver
E em meus dias vou contando piadas
Quando olho em volta e vejo o dia acontecer
O palhaço vira louco, coitado
Faz papel de trouxa
Ele é um homem bom
Faz brincadeiras, em seu bolso um baralho
Olha pro público
Ele é um homem bom
E então se encara no espelho
Vira de costas
Para em seus olhos não olhar
Neles enxerga a tão maldita verdade
Que tanto luta para poder enganar
Quem vai no palco é somente um personagem
Quando sai dele
Só há cacos a juntar
O palhaço vira louco, coitado
Faz papel de trouxa
Ele não é um homem bom
Um belo dia ele resolve olhar no espelho
Olhos vermelhos então começa a gargalhar
Ao encarar a tão maldita verdade
Se sua vida tem um nome é azar
No outro dia de novo em frente ao espelho
Olhos vermelhos então começa a gritar
Mesmo no palco não existe mais risada
Em tantos cacos não há como mais juntar
O homem de lata
O homem de lata
Vapor e fumaça
Corre óleo na veia
Dias em peleia
Suas noites sem sono
Um corpo sem dono
Se afoga em memórias
Quebrado em sua história
A se desenrolar
Nem ímpar, nem par
Só um personagem
Torque na engrenagem
Pois só queria te contar
Que apesar da sina dura
E dos momentos sem juízo
O jeito é rir pra não chorar
Quando o metal em rachadura
Ainda busca o paraíso
O homem de lata
Vapor e fumaça
Corre óleo na veia
Dias em peleia
Suas noites sem sono
Um corpo sem dono
Se afoga em memórias
Quebrado em sua história
A se desenrolar
Nem ímpar, nem par
Só um personagem
Torque da engrenagem
E se abstém a esperar
Por um momento de vitória
Em meio a perdas sucessivas
E se ajoelha a rezar
Quando o metal em rachadura
Ainda busca o paraíso
O homem de lata
Chumbo mercúrio e alumínio
A encarar sua ferida
Tenta escapar da depressão
É meio homem, meio máquina
Pra distinguir o que é real do que é apenas um delírio
Em lata se tornou
Quando trancou seu coração
O último de nós
O mundo está em chamas
O céu está vazio
A vida em silêncio
O chão está tão frio
A ponte está quebrada
A luz está apagada
A janela está fechada
No imaginário impulsivo e individual
Uma ideia incerta mais um tanto intelectual
Se desenha nas paredes desse refúgio mental
Qual seria então a porta
Para a minha liberdade
A saída desse inferno
Para outra realidade
Esse deve ser de fato
O meu maior objetivo
Assim vou seguindo em frente
Dia a dia sobrevivo
A cada passo dado
Uma nova cicatriz
A cada ato falho
Um pecado infeliz
Mas esse inferno não é nada
Perante os meus próprios demônios
Minha consciência tão pesada
Mas ele acreditava que era um espírito livre
Mas ele acreditava que era um espírito livre
Mas suas asas não passavam de uma simples ilusão
Mas ele acreditava que era um espírito livre
Mas ele acreditava que era um espírito livre
E depois daquela queda interminável estava sua redenção
Pecado
O fogo sempre se apaga
Não importa o quanto ele se propaga
Mas quando suas chamas se extinguem
Nas cinzas poucas coisas se distinguem
No céu azul tanta fumaça
Em meio ao gris tudo se despedaça
Das brasas o ar ainda quente
Espalha um calor tão incandescente
Peste, Guerra
Fome, Morte
Caos, destruição
Angústia e enfim o luto
Anfitriões de um mundo decadente
A humanidade se faz displicente
As boas vindas são anunciadas
Enfermidades negligenciadas
Enfileirados os corpos nas esquinas
Fogueiras a queimar as suas toxinas
Ao longe é visto um cavaleiro branco
A deixar um rastro de desmando
Peste, Guerra
Fome, Morte
Caos, destruição
Angústia e enfim o luto
Não sendo esse caos suficiente
O homem tolo tão impertinente
Aos montes guerras são então travadas
Cada nação tem as suas cruzadas
A destruição se faz então presente
De forma vil impera assim tão recorrente
Um cavaleiro a se banhar de sangue
Escreve atroz em traços rubro-fulminantes
Peste, Guerra
Fome, Morte
Caos, destruição
Angústia e enfim o luto
Com a sociedade entregue às ruínas
Um colapso imenso então se aproxima
As aflições que tanto enfrentavam
Alcança aqueles que estes desprezavam
O mundo é mergulhado em miséria
E a fome enfim se torna coisa séria
E um cavaleiro negro no horizonte
Sorri sarcástico a secar a fonte
Eu vejo rostos decadentes a observar
Esse estranho céu amarelo
Eu vejo sonhos esquecidos
Que jamais serão reconstruídos
Uma breve oração é sussurrada no escuro
Em meio a todo esse flagelo
Mas uma súplica não ouvida
Não pode mesmo nem ser esquecida
Penitência
Mãos tão cinzas
Os dedos a deslizar
Na chama tênue de uma vela recém acesa
Em uma luz tão ondulante
A oscilar em um quarto tão escuro
A buscar reconciliação
Alguma solução
Alguém capaz de escutar cada profanação
No sacramento se inicia uma confissão
Face a face
Tão consciente
Tão decadente
Alter-ego a exibir uma desolação
Seu rosto a ostentar sinceridade e constrição
Face a face
Abruptamente
Tão prepotente
Alter-ego a exibir tamanha aberração
Em escrutínio dissecar tal situação
A escutar e observar cada sinal proferido
Cada pecado confessado, homicídio cometido
Ao ver seus lábios a sorrir em vilania e aversão
Mas os seus olhos a sofrer em tão fiel lamentação
O sacerdote inicia o seu tardio entendimento
Sobre o assassino tão cruel em surtos de arrependimento
Duas mentes em um corpo em uma batalha incessante
A oscilar da lucidez entre distúrbios delirantes
O assassino enraivecido cuja mente é bipolar
Agora tão arrependido, o seu pecado a confessar
O padre sente apreensão, sua mente afogada em confusão
Algo está fora do lugar, alguma coisa parecia não encaixar
Aquele homem violento aos poucos a se transformar
A cada pecado anunciado, um rosto mais familiar
Até que inesperadamente, num lampejo de razão em sua mente
O padre finalmente compreende, o tempo todo havia um espelho em sua frente
O assassino, o padre e o penitente
Pensamentos conflitantes a eclodir na mesma mente
O assassino, o padre e o penitente
Três verdades diferentes habitando a mesma mente
O assassino, o padre e o penitente
Pensamentos conflitantes a eclodir na mesma mente
Pôr do sol
Quando o sol se pôr pela última vez
Eu te peço apenas siga em frente
Mais uma vez
Sem olhar pra trás
Sei que às vezes o mundo hostil
Vai fazer te sentir incapaz
Eu eu me lembro de olhar pra trás
E não ver nada além de sombra
Se estendendo ao infinito
E eu me lembro de procurar
Algum sinal de luz
Enquanto eu me sentia tão perdido
Perdi as contas de quantas vezes
Me escondi por achar
Que era melhor estar sozinho
E no entanto, sem perceber
Aos poucos fui me acostumando
Com esse mundo tão sombrio
Talvez por isso quando eu vi você
Eu não sabia bem o que fazer
Tão pouco frases para lhe dizer
Porque havia alguma coisa de errada comigo
E pouco a pouco eu fui me afundando
Vendo tudo ao meu redor se acabando
Mas pra você eu tinha que ser forte
Mesmo sabendo o rumo da minha sorte
Eu não espero ter o seu perdão
Quando eu largar de vez a sua mão
Talvez esse meu egoísmo sórdido
Transforme todo o seu amor em ódio
Quando o sol nascer
Mais uma vez
Quando a brisa de outono
Tocar no teu rosto outra vez
Quero estar em paz
Ter certeza que o mundo
Jamais perderá seu sorriso
Mesmo que eu não o veja jamais
Prisão mental
Palavras perdidas
O carcereiro ri sozinho no escuro
A cada dia um risco novo nesse muro
Olhares descrentes
O abraço frio e impiedoso das correntes
Nas sombras pairam pensamentos insistentes
O horizonte está lá fora
Talvez tão cinza quanto esse céu
Que paira sobre mim agora
O tempo esvai e o vento leva
Cada traço de juventude
E o que resta agora, um tolo se conforta
Nos braços frios da quietude
Constelações inteiras são apagadas
Num sopro tênue da eternidade
E nessas noites vis se torna impossível
Dar luz a essa insanidade
Eis que então respirar
Se torna um ato de tamanha coragem
Quando o vislumbre de um caminho tão sombrio
Te faz querer abortar a viagem
Ruínas mentais
Palavras cruéis tão acidentais
Espinhos vermelhos nada ocasionais
E o abismo parece tão belo
Nesses passos sorrateiros
Tão instintivos e imperfeitos
Talvez o horizonte
Nas profundezas
Destrua o meu espírito
E as suas incertezas
Tantos pedaços vão ficando no caminho
Mas está escuro demais pra ver
O que ficou pra trás
No esquecimento inevitável tudo se desfaz
Dizem que os céus não mentem pras almas
Que já tocaram as mãos em suas estrelas
Mas é tão difícil compreender
Quando está claro é bem mais fácil de se ler
Eis que então respirar
Se torna um ato de tamanha coragem
Quando o vislumbre de um caminho tão sombrio
Te faz querer abortar a viagem
Resiliência
Tão fria é a cor
Que se apaga
Tão tênue é a imagem
Que se esvai para o nada
Ao longe raízes se escondem
No chão galhos secos
Suas preces respondem
Sonhos
Na sua janela
Medo
Sua sentinela
Me lembro das asas que nós construímos
Me lembro dos mais belos campos que vimos
Eu sei que o mundo não é mais o mesmo
Eu sei que às vezes caminhamos a esmo
Paredes riscadas então
Os olhos inundam o chão
O orvalho que antes tão belo
Escorre em um rosto tão sério
Lá fora a chuva a cair sobre o mundo
Aqui dentro um resquício de luz tão profundo
É difícil saber se o amanhã vai chegar
Quando nada lhe instiga a sequer acreditar
E o tempo se faz tão relevante
Pra dor ou pro amor algo tão inconstante
Eu busco uma luz no seu olhar
Me afogo em escuridão ao não encontrar
Se lembra do toque suave do vento
Seu rosto tão belo a sorrir meu alento
Se lembra das cores que nós desenhamos
Por tantas tormentas e angústias passamos
E as pedras cinzentas que moldam quem somos
Parecem crescer e ocultar o que fomos
Pedaços da vida esquecidos no tempo
Sem impenitência ou arrependimento
Dessa sombra tão desgastante
Vem pensamentos tão conflitantes
Nessa aflição tão inquietante
Uma hesitação tão angustiante
Uma pulsação, uma sensação
Uma confusão, uma aversão
Uma expectativa, uma narrativa
Uma alternativa tão provocativa
Mas eu vejo um clarão
Em meio ao breu da madrugada
Um rompante inesperado
A colorir minha alvorada
Afinal nós dois aqui estamos
Depois de tudo isso que passamos
Uma luz na minha madrugada
Uma insanidade autodeclarada
Um alvor no arrebol
Da minha aurora inebriante
Um epílogo, um desenlace
Um arremate tão elegante
O seu sorriso é algo inexplicável
Só um espírito inabalável
Pra resistir a tanta provação
Mantendo intacta a convicção
De que ainda há beleza
E alegria nesse mundo
E enfrentar seus obstáculos
Tem um sentido bem mais profundo
Então segure firme a minha mão
Vamos seguir a sua oração
Eu sei que sempre haverá espinhos
E tantas lágrimas nesses caminhos
Mas algum dia iremos encontrar
O nosso Oásis em meio ao deserto
E enquanto esse dia não chegar
Fico feliz em ter você por perto
Revelações
Revelações em uma manhã de domingo
Seus olhos não me parecem ser
Os mesmos de ontem
Revelações o frio chega no outono
Se os sonhos forem embora
Quem vai querer dormir agora
Olhos fechados na escuridão
Sombras vazias nessa solidão
Eu não descanso pra morrer amanhã
Eu não acordo pra viver somente uma manhã
Eu não descuido, eu não prescrevo
Eu não esqueço, eu não mereço
Eu não destruo, eu não insinuo
Eu não desvio, eu sou vazio, eu sou tardio, eu sou agora
Revelações em meio a crise do homem
Seus olhos não me parecem ser
Os mesmos de ontem
Revelações em uma estrada tão torta
E quando a canção finalmente acabar
Nesse silêncio quem irá dançar?
Revelações em uma manhã de domingo
Revelações o frio chega no outono
Revelações em meio a crise do homem
Revelações em uma estrada tão torta
E quando a canção finalmente acabar
Nesse silêncio quem irá dançar?
Rock N' Roll
A guitarra nas costas
E um sorriso no rosto
Caminhando sem pressa
E sem perder o meu chão
Os acordes que um dia
Abalaram o meu mundo
Ressoando no ar
Para a minha ignição
E as pedras no meu caminho
Elas irão rolar
E as pedras no meu caminho
Não irão parar de rolar
Vejo nos céus um dirigível de chumbo
Achavam que jamais ele decolaria
Porém mais alto que isso
Eu acredito que ninguém chegaria
Transformando o azul dos céus
Em algo mais belo e selvagem
O som que nasceu nos engenhos
Transformando a dor em coragem
Agora mergulha, não se acalma
E vai descendo a loucura
Envenenando as nossas veias
Entorpecendo a nossa alma
As pedras no meu caminho
Elas irão rolar
As pedras no meu caminho
Não irão parar de rolar
Talvez o mal nos traga
Em direção ao inferno
Talvez uma escadaria
Direto para o paraíso
Mas eu confesso baby
Que às vezes eu me sinto tão indeciso
Mas de uma coisa eu sei
Que o meu caminho é o rock
Não me importo quem toque
O que importa
É que as pedras no meu caminho
Sempre estejam assim rolando
Semáforo
A cada esquina da cidade
Veículos parados
Semáforos ligados
Nas rádios e vitrines
Cheias de TV’s
Se anuncia os nossos sonhos
Tudo o que queremos ter
E na luz verde
Se dá a largada
É melhor mover seu carro
Senão leva buzinada
Quem tá a pé
É melhor ter atenção
Se não abrir o olho
Vai perder a condução
Depois dessa correria
Se inicia a frustração
Relógio na parede
Deve tá de gozação
O tédio deveria estar
Na tal da relatividade
Desacelera o tempo
Mais que a própria gravidade
Ao fim do dia
A corrida recomeça
O sentido é o oposto
O que não muda é a pressa
O quanto antes
Em casa chegar
Mais tempo vai sobrar
Para poder descansar
É um novo dia
Mas tudo se repete
Até mesmo nos jornais
Sempre a mesma manchete
Mas tamo perto
Do fim desse ano
Após natal e réveillon
Serei um novo ser humano
Rolo compressor
Tão errado quanto se pode ser
Tão ingênuo quanto pôde ficar
Tão fútil em um orgulho de ser
Na certeza de onde há de chegar
Tão visível a não se perceber
Tão inerte a caminhar pelo ar
Tão humano ao seu desgosto de ter
Tão despido de um silêncio a gritar
Não deixe pedra sobre pedra
Reduza tudo isso a pó
É hora de acabar com tudo
Desfazer-se até do último nó
Se esqueça do que te consome
Largue histórias tristes no passado
Não perca mais nenhum segundo
Deixe todas as besteiras de lado
Chega de pisar em tantos ovos
Não precisa mais agir assim
Não finja ser alguém que não é
Acredite é bem melhor no fim
Deixe a máscara cair do rosto
Revelando seu sorriso amargo
Melhor ser odiado pela verdade
Do que na mentira ser amado
Não deixe pedra sobre pedra
Reduza tudo isso a pó
É hora de acabar com tudo
Desfazer-se até do último nó
Se esqueça do que te consome
Largue histórias tristes no passado
Não perca mais nenhum segundo
Deixe todas as besteiras de lado
Não se prenda ao que te esconde
Não desgaste seu espírito ao que não te corresponde
Não tenha medo de satisfazer suas vontades
Respeite por favor suas especificidades
Alimente sua consciência
Não deixe sua vida se apagar em displicência
As décadas passadas não estão perdidas
Só você tem o poder de liderar a sua vida
Siga
Lotes vendidos por preço de pão
Caras quebradas jogadas no chão
Sinais vermelhos se acendem no Oeste
Um muro branco bloqueio o Leste
Anéis de cinzas preenchem seus dedos
A percussão feita nos passos bêbados
O balão some e ignora o seu furo
Roleta russa, um tiro no escuro
Siga
Mesmo que o chão se desfaça em migalha
Siga
Mesmo que o ar corte tal uma navalha
Siga
Mesmo que a dor vire hora e rotina
Siga
Quando a voz bamba obstrui a rima
No labirinto sem linha a guiar
O Minotauro fica familiar
No mar aberto com a boia furada
A onda vira o guia da jornada
Siga em frente e esqueça o que fica
Estranho na estrada não se identifica
Carregue tudo nas costas já largas
E o que sobrar jogue fora em descarga
Siga
Mesmo que o chão se desfaça em migalha
Siga
Mesmo que o ar corte tal uma navalha
Siga
Mesmo que a dor vire hora e rotina
Siga
Quando a voz bamba obstrui a rima
Sol e Tormenta
Sol e Tormenta
Num conflito incessante
Onde de um lado no céu limpo a raiar
Está o sol que acalenta
E lá do outro no revolto uma borrasca em investida a despencar
Que arrebenta
E leva o solo em meio ao vento
E afoga o mar num epicentro
O sangue volta a circular
O morto acorda e a pulsar está a buscar o seu fomento
O cego volta a enxergar
O surdo torna a ouvir
A Terra para de girar
A lua roda até cair
A mente a raciocinar
Na quietude a rugir
Perguntas para responder
Pernoita segue a pedir
O por que? O pra que? O com quem? E outros “que”
O aonde? O esconde? Clama o corresponde
Quer de volta, enlouquece, enfraquece, enaltece
Se acalma e então se desespera
Esquecer? Quem me dera
Quem me dera
Sol e Tormenta
Cabo de guerra angustiante
Em meio a cacos do diamante
Que revestia a armadura
Criada para proteger da dor
Não sobreviveu ao amor
O Alpha e o Ômega
Antes só um, virou dois
O mapa do labirinto
O não deixar pra depois
Dá propósito ao niilista
Tira os ratos do flautista
Devolve o trem a Mamoré
O aleijado põe de pé
O reto fica circular
O diabo começa a rezar
As folhas velhas a cair
A face oculta a se exibir
O por que? O pra que? O com quem? E outros “que”
O aonde? O esconde? Clama o corresponde
Quer de volta, enlouquece, enfraquece, enaltece
Se acalma e então se desespera
Entender? Quem me dera
Quem me dera
Terra sem lei
Enfim se aproximava a dita terra sem lei
Ao longe se escutava alguém pedindo perdão
Numa carta de baralho o rosto cinza de um rei
Os buracos nas paredes e as cicatrizes no chão
A serpente no deserto a sibilar sua morte
Aqui não adianta rezar, só o demônio tem sorte
E as madeiras cravejadas a ranger sob o vento
E nas janelas quebradas um inaudível lamento
Bem-vindo solitário pistoleiro do Oeste
A sua última parada a mais sangrenta do agreste
Sua cova te espera a sete palmos do chão
Uma vela acenderei pra iluminar seu caixão
Faça logo por favor as suas últimas preces
Lhe ofereço piedade desse mundo terrestre
Sei que breve irei rever-te em meio ao fogo do inferno
Então avisa logo o diabo que eu estarei por perto
Com o revólver apontado pro abismo
A cada tiro, um pecado
A ruína de um batismo
O resultado desse vil sacrifício
Nas mãos sombrias
Acolhido ao final do precipício
Quem viveu sob a sombra de um espinho
Escondeu cicatrizes infelizes no caminho
Quem morreu sob a mira de uma arma
Aprendeu sem querer a conviver com o próprio karma
Quem gritou escutou a própria voz
Enquanto tolos silenciosos controlados são por nós
Tolo amor
O que fazer
Se já não temos mais nada
Nem mesmo apreço por essa estrada
Eu já não sei o que dizer
É tão estranho
O quão pequeno eu me sinto
Perdido em meio a esse labirinto
Sem ter ideia de pra onde devo ir
O tempo passa
Mas esse gosto amargo
Não deixa a minha boca
E eu não consigo repelir
Nem engolir
Tamanho desconforto
A indiferença
Sufoca o meu suspiro
E eu ouço ecos desvairados
De um futuro tão sombrio
Enquanto sonhos e sorrisos
Vão ficando para trás
A incerteza e a solidão
Obscurecem a minha paz
Por tanto tempo
Eu abracei sem medo as suas cicatrizes
Eu segurei a sua mão nas horas infelizes
Tentei ser seu conforto
Mas talvez enquanto eu
Tentava tanto lhe salvar
Fui lentamente me afundando
Sem ter aonde me agarrar
Mas o mais triste
É que se eu tento segurar a sua mão
Sua frieza me afasta
E eu fico na escuridão
Eis que a apatia se faz moeda de troca
Nesse tolo amor
E a cada dia mais difícil é
Suportar a dor
Eis que a apatia se faz moeda de troca
Nesse tolo amor
E a cada dia mais difícil é
Suportar a dor
Será que vale a pena na vida
Ter um grande amor
Mesmo sabendo que ele irá causar tamanha dor
Será que vale a pena na vida
Ter um grande amor
Mesmo sabendo que ele irá causar tamanha dor
Trégua
As vezes sinto que as coisas poderiam ser mais simples por aqui
Pois é tão fácil se perder
Em meio a tanta gente por aí
Não sei ao certo o que devia importar
Não sei ao certo o que devo procurar
Eu só caminho errante sem ter direção
Sigo uma vida simples com pouca ambição
Eu sei que o mundo pode e vai me esmagar
Se eu não tomar cuidado aonde quer que eu vá
Mesmo com as pedras inevitáveis no caminho
Pessoas cruéis farão sentir-me tão sozinho
O céu está logo ali
A sua vida é um suspiro
Um sopro irrelevante
Diante da eternidade
O céu está logo ali
Se temos assim tão pouco tempo pra amar
Porque insistimos tanto em desperdiçar
Joguem todas suas armas nas trincheiras
Ergam pro alto dos céus as suas bandeiras
Velas acesas como luzes de natal
Será possível haver paz em território mortal
Eis que inimigos se abraçam
Sobre a Terra de Ninguém
Onde jamais se ousaria
Posicionar alguém
Cantando em línguas diferentes
Como se fossem um coral
Duas versões da mesma música
Naquela trégua de natal
O céu está logo ali
A sua vida é um suspiro
Um sopro irrelevante
Diante da eternidade
O céu está logo ali
Se temos assim tão pouco tempo pra amar
Porque insistimos tanto em desperdiçar
Tricô
Espero que você não pense mal de mim
Sei que no fim ficou um clima bem ruim
Fico feliz de ter tido a chance de te conhecer
Estou aqui se precisar, basta chamar que estou a correr
Espero que você não pense que eu te quero mal
Mesmo sem te ver ou estar nesse local
Continuo achando você simplesmente incrível
E por meio desse som quero deixar isso visível
Me lembro de todas as nossas conversas
Planilhas, gatos perdidos e E.L.A
Lhe agradeço pelas vezes que me ajudou
No meu tricô chamado vida, uma parte você bordou
Espero que esse não seja o fim
Mas se está bom pra você, que continue assim
Eu sei que eu não sou tão fácil de lidar
E peço algo difícil, tenho que concordar
Espero que tenha tudo o que há de melhor
Você merece tudo que batalhar com o seu suor
Continue fazendo o que achar correto
Já é difícil enfrentar esse mundo tão incerto
Me lembro de todas as nossas conversas
Planilhas, gatos perdidos e E.L.A
Lhe agradeço pelas vezes que me ajudou
No meu tricô chamado vida, uma parte você bordou
Trilha verde
No paraíso estou
No paraíso
No paraíso estou
No paraíso
Estou cansado chefe
Cansado de estar na estrada sozinho
Como um pardal na chuva
Estou cansado de nunca ter um amigo
Pra me dizer
Pra onde a gente vai
De onde a gente vem
E o porquê
Estou cansado das pessoas
Serem más umas para as outras
Estou cansado da dor que sinto
E ouço no mundo
Todo dia tem muitas dores
São como pedaços de vidro
Na minha cabeça o tempo todo
Pode entender?
No paraíso estou
No paraíso
No paraíso estou
No paraíso
Um guri louco
Um guri louco
Acusado de roubar dos céus as palavras belas
De um anjo apaixonado
Somente pra satisfazer
O seu desejo de saber
O que é o amor?
Qual é a sua cor?
De onde vem tamanha dor?
Quando distante da sua fonte de calor
Um guri louco
Tentando entender como é viver
Sem jamais se esquecer do seu sorriso
Capaz de levá-lo ao paraíso
Um guri louco
Capaz de entregar seu coração
Sem jamais se importar
Com o que dele pensarão
Um tolo, um fraco
Aprisionado em sua própria ilusão
De que um dia irão entendê-lo
De que um dia irão compreendê-lo
De que a vida sem o amor não é nada
CONTRATE A BANDA
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